Parece impossível, pois em toda a minha vida nunca pensei em mudar de país assim radicalmente, pelo menos assim para um país tão distante de Portugal. É verdade, vou mudar-me para a Argentina. Já tratei de tirar o passaporte e guardar todos os meus documentos, estou preparada para a viagem que demora aproximadamente 17 horas, e só de pensar que vou para um sítio onde não conheço nada nem ninguém, só me apetece gritar com toda a gente.
Durante a viajem, já quase a aterrar no aeroporto de Buenos Aires já comecei a ver as diferentes formas e tonalidades, as cores vivas da terra e os seus desertos e montanhas. Passados dois dias, quase apenas de viagem e desfazer as malas e ambientar me á casa, acho que estou finalmente pronta para conhecer Buenos Aires.
O clima aqui nem é quente nem frio, é ameno o que me faz sentir melhor, a língua oficial deste país é o espanhol e ainda não me habituei muito bem a ele, apesar de ter ido passar férias a vários sítios espanhóis nunca pensei que passaria ouvir espanhol para sempre, não me parece que vá ser muito difícil adaptar-me mas só o futuro o dirá. Hoje dia 12 de Outubro, é o meu segundo dia cá, e é feriado aqui, celebra-se o dia do Colombo, andam muitas pessoas na rua mas todas parecem silenciosas e pouca dadas a excessos, caminho nas ruas de Buenos Aires e começo a pensar que não conheço ninguém e tudo me é estranho e as saudades já começam a apertar. Buenos Aires não parece ter uma arquitectura fantástica, nem uma quantidade apreciável de monumentos, jardins ou museus mas desperta-me muita curiosidade pelas suas contradições comparando com outros países. Entrei num café para comprar uma garrafa de água e a senhora que me atendeu foi muito simpática e disse me vários sítios que eu podia visitar para ficar a conhecer esta maravilhosa cidade.
Fui andado por várias ruas estreitas e bairros e as fachadas das casas chamavam á atenção pelas suas cores amarelas, verdes, azuis e vermelhas, também nas ruas as esplanadas dos cafés e restaurantes chegavam ao meio da rua e via-se muita gente sentada, o que fez com que sentisse alguma fome. Entrei num restaurante que tinha o nome de El Sanjuanino, e tinha um bufete de carnes diversificado, sempre ouvi dizer que na Argentina os pratos principais era confeccionados com carne de vaca, no restaurante haviam vários quadros nas paredes quase todos eles representando o tango, depois de ter almoçado Bife á argentina estava ansiosa para conhecer a cidade. Finalmente encontrei a Plaza de Mayo a paragem histórica de que tanto a senhora me falou, no centro tem um lago com um chafariz onde estavam várias pessoas sentadas, podia ver algumas pombas no chão e em frente avistei um grande edifício rosa alaranjado, de nome Casa Rosada, sede do governo Nacional.
Depois dirigi-me de metro, um transporte que raramente usava em Portugal, á Recoleta um dos Bairros mais conhecidos pelo seu charme, pelos seus cafés, bares e a sua famosa feira de artesanato. A feira era constituída por barracas todas encaixadas umas nas outras e vendiam coisas muito antigas mas muito engraçadas. Entrei no Hard Rock café argentino que se situa neste mesmo bairro, e fiquei maravilhada com a sua decoração, comi qualquer coisa e voltei para apanhar o metro e voltar para casa pois estava muito cansada.
Quando estava á entrada de casa vi uma rapariga a dirigir-se a mim que supostamente era minha vizinha, o seu nome era Miriam e contou-me e explicou-me tudo sobre a cidade, os transportes, a escolas e as pessoas, também se ofereceu para ir no dia seguinte comigo fazer outra visita pela cidade. Gostei muito de a conhecer e já fico mais contente por saber que conheço alguém pelo menos para conversar.
Fico feliz pela minha família estar feliz, pois como aprendi em Filosofia devemos organizar uma pirâmide de valores para ter linhas orientadoras de vida, e o meu valor primordial é a família, apesar de saber que este valor pode mudar ao longo do tempo penso que se irá manter durante este período da minha vida pois a minha família apoia-me em tudo e neste momento é dela de quem eu preciso mais, também na minha pirâmide segue-se a saúde , a felicidade e a honestidade.
No dia seguinte foi com Miriam visitar a escola que vou frequentar e conheci mais duas raparigas que vão ser da minha turma, ainda não é fácil comunicar com elas pois falam muito rápido mas já me vou habituando a ouvir a língua. Visitamos também o Rio de la Plata e o Puerto Madero sítios maravilhosos, com uma cultura muito diferente, também pude assistir a um espectáculo de tango numa pequena praça perto do rio. Visitamos mais alguns sítios, por exemplo o ZOO Buenos Aires e penso que Miriam vai ser uma grande amiga para mim.
Passados alguns meses…
Já me habituei a quase tudo, na escola fiz outros amigos todos muito simpáticos e acolhedores, já me adaptei á língua e já acompanho bem todas as aulas. Estou a gostar de estar neste país magnífico que apresenta diferentes climas, paisagens e culturas, este mesmo possui um rica herança do passado, com valiosas ruínas e obras de arte, que as populações tendem a preservar, é um país seguro e as pessoas são calmas e cada uma vive a sua vida.
Hoje, quando penso na minha pirâmide de valores, o valor primordial continua a família mas introduzo na minha pirâmide outros valores como a coragem, dignidade e calma. Aprendi aqui também, que tudo o que os outros fazem não é unicamente aquilo que temos que fazer, mas sim se pensarmos antes dos nossos actos muitas das vezes iremos deixar de errar. Tenho saudades de Portugal, mas sou feliz aqui e dou valor a coisas que não dava antes de chegar á Argentina.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Um dia em Chennai
O calor sufocante já se fazia sentir nas ruas de Chennai, Índia, quando um raio de sol penetrou entre as persianas da janela do quarto e embateu na minha cara. Com um salto levantei-me da cama e ao olhar para o relógio, o nervosismo atingiu-me como um raio de sol. Era o meu primeiro dia de aulas numa nova escola, num país completamente diferente. Quando recebi a notícia de que iria viver para Índia, para além de ter noção que seria uma grande mudança, de certa forma gostei da ideia de iniciar uma ‘’vida nova’’ e mal esperava de ir para a escola e conhecer novas pessoas e culturas. Agora que o dia de aulas chegou, de certa forma desejava que nunca tivesse chegado.
Rapidamente aprontei-me e dirigi-me para as ruas de Chennai. O sol já brilhava, o calor vagueava pelas ruas e centenas de pessoas marcavam presença nelas. Os autocarros, cheios de pessoas, preenchiam as estradas, as centenas de táxis, que se deslocavam de um lado para o outro, e as pessoas dificultavam o uso das ruas. Ao tentar deslocar-me naquela confusão, observava as pequenas tendas e mercados que enchiam a cidade de cor com as mil e uma coisas que ofereciam, desde comida, que me era completamente estranha, até roupas, principalmente os tradicionais saris, que eram usados pela maioria das mulheres indianas e que a cor desses mesmos mostrava a que etnias pertenciam. O cheiro intenso libertado pelos veículos misturado com o cheiro da comida tornava o ambiente enjoativo. Uma das tendas libertava um odor bastante agradável e e ao aproximar-me dela, verifiquei que era libertado por pequenos frascos que continham um óleo. Curiosa, perguntei à senhora da tenda o que era e, embora com alguma dificuldade em compreendê-la, fiquei a saber que cada nome tinha a sua própria fragrância e esses pequenos óleos estavam feitos para cada nome. Assim, decidi comprar um pequeno frasco com o odor característico do meu nome, tendo porém alguma dificuldade em pagar à senhora uma vez que não estava habituada à rupia indiana.
Ao chegar ao meu destino, observei atentamente a minha nova escola. Era pequeníssima e antiga. À entrada da escola, uma senhora com um sari vermelho esperava-me. Era a directora da escola e falava muito bem inglês pelo que desta vez foi ela que teve alguma dificuldade em entender o que eu dizia. Começou por mostrar-me a escola que era, tal como se podia verificar do exterior, muito pequena. Finalmente acompanhou-me até à sala, onde iria ter aula, para poder conhecer a minha nova turma. Ao entrar na sala, muito nervosa, senti que todos aqueles olhes negros estavam pousados em mim, o que me causou alguma inquietação. Ao olhar para o quadro consegui entender que estavam a ter uma aula de matemática. A professora, muito simpática, sentou-se ao meu lado e durante toda a aula esteve-me a contar um bocado sobre Índia, uma vez que o meu conhecimento era muito pouco. Após terminada a aula, estava na hora do almoço. Quatro raparigas da minha turma, cujos nomes eram Saranja, Sharmila, Anjali e Priya vieram ter comigo e juntas dirigimo-nos para a cantina da escola. Ao entrar na cantina, cheguei a pensar que iria desmaiar devido ao cheiro intenso a comida que de alguma forma era pouco agradável. Por sorte as minhas colegas de turma aperceberam-se e fomo-nos sentar numa mesa perto da janela. Ao olhar para a comida desconhecida que se encontrava no meu tabuleiro, embora com algum receio, provei e rapidamente peguei no copo de água e tentei apagar o ardor que se tinha instalado na minha garganta. O famoso ‘’chapati e chutni’’ era muito picante. As quatro raparigas começaram-se a rir e decidi não comer mais. Após o almoço, deram-me a provar chá de limão. Já tinha ouvido dizer que os chás de Índia eram muito bons e ao provar aquele chá, de facto, não tinha mais nada a fazer senão concordar plenamente. Depois de um almoço agradável, instalamo-nos no corredor da escola, fugindo assim ao intenso sol e calor sufocante que era frequente em Índia. As minhas colegas de turma fizeram-me muitas perguntas acerca de como era a minha vida em Portugal, como era o meu país, como eram as escolas, as pessoas e a cultura. Com as minhas respostas que, na minha opinião, não eram nada de mais, elas ficavam admiradas de como diferente era Portugal. Quando chegou a minha vez de lhes fazer perguntas, fiquei igualmente admirada mas pela parte negativa, enquanto que elas ficaram pela positiva. Saranja vivia numa pequena casa bastante afastada da cidade, tendo que andar imenso a pé para chegar à escola. Vivia com a mãe e três irmãos, um deles mais velho. Quando chegava a casa ajudava a mãe nos trabalhos domésticos, cozinhava e cuidava dos irmãos mais novos, enquanto que a mãe ia trabalhar para uma pequena fábrica de tapetes. Sharmila vivia na cidade e os pais tinham uma pequena tenda que vendia saris, na qual aos fins-de-semana ia ajudar e. Como já tinha 17 anos, o pai já lhe tinha arranjado um marido e em breve iria-se casar, embora não gostasse do seu futuro marido. Anjaly e Priya eram irmãs e também elas viviam na cidade. A mãe estava muito doente e o pai não conseguia sustentar a família vendendo fruta, pelo que as duas raparigas, após as aulas, iam trabalhar para um pequeno super-mercado. Quando olhamos para o relógio já passava da hora do início da aula de inglês e corremos até à sala. A aula de inglês foi bastante animada porque o inglês falado em Índia é diferente do que costumamos ouvir, sendo assim engraçado ouvir indianos a falar inglês. Terminado este primeiro dia de aulas, Sharmila acompanhou-me até casa. Durante o percurso até casa, enquanto falava com Sharmila, senti de repente alguém tocar-me no ombro. Ao olhar, estava uma senhora velha atrás de mim, com um ar cansado e triste. Esticava a mão na minha direcção e suplicava por dinheiro. Assustada, recuei e fui empurrada por Sharmila, que mandava a velha senhora embora. Ainda assustada com o aspecto da senhora, que era horrível, e a pensar na súplica dela, Sharmila disse que é costume haver pessoas a pedir dinheiro e, muitas vezes comida, nas ruas de Chennai mas, que devia começar a acostumar-me a isso e simplesmente ignorar.
Finalmente tinha chegado a casa e foi nesse momento que a saudade por a minha ‘’antiga vida’’ começou a surgir e não consegui conter as lágrimas. Sentia falta dos meus amigos, da minha família, da minha casa, enfim, sentia falta de tudo.
Este dia ajudou-me a entender uma coisa: Só damos valor ao que temos quando o perdemos. Neste caso, umas semanas atrás, não dava muita importância a pequenas coisas que faziam parte da minha vida como, ir para a escola, passar esse tempo com os meus amigos e outros pequenos actos que eram frequentes. Após este dia, dava tudo para ter esses pequenos momentos de volta. Nas aulas de filosofia, quando abordamos o capítulo dos valores, aprendi que a pirâmide dos valores, que construímos, pode vir a mudar com o tempo e com a experiências que o indivíduo vai adquirindo ao longo da vida, assim como pode variar em função do grupo social e da cultura.
Indía é um país fascinante que, por detrás desse fascínio, esconde muita coisa. A pobreza extrema é visível nas suas cidades e ao mesmo tempo é completamente ignorada. As mulheres não são livres de escolher os seus maridos. Jovens são obrigados a trabalhar pelo facto de a família, de outra forma, não ter maneira de sobreviver. Tudo atinge a nossa sensibilidade, pelo que não podemos ficar impassíveis perante aquilo que nos rodeia. Porém não é o que acontece neste país. Na minha opinião, esta primeira experiência neste país tão diferente do nosso, certamente mudará a minha pirâmide dos valores. Liberdade vai começar a fazer parte dos meus valores, assim como dignidade humana e justiça. Nunca antes tinha reflectido sobre tais coisas podendo assim admitir que esta mudança me ajudou a reflectir melhor.
Após ter reflectido sobre isto, desloquei-me até à janela, abrindo-a, observando assim a cidade de Chennai coberta pela noite e respirando uma brisa de ar fresco que invadiu o quarto, pensando como seria o dia de amanhã e esperando que um dia me pudesse vir a habituar a esta novo país.
Rapidamente aprontei-me e dirigi-me para as ruas de Chennai. O sol já brilhava, o calor vagueava pelas ruas e centenas de pessoas marcavam presença nelas. Os autocarros, cheios de pessoas, preenchiam as estradas, as centenas de táxis, que se deslocavam de um lado para o outro, e as pessoas dificultavam o uso das ruas. Ao tentar deslocar-me naquela confusão, observava as pequenas tendas e mercados que enchiam a cidade de cor com as mil e uma coisas que ofereciam, desde comida, que me era completamente estranha, até roupas, principalmente os tradicionais saris, que eram usados pela maioria das mulheres indianas e que a cor desses mesmos mostrava a que etnias pertenciam. O cheiro intenso libertado pelos veículos misturado com o cheiro da comida tornava o ambiente enjoativo. Uma das tendas libertava um odor bastante agradável e e ao aproximar-me dela, verifiquei que era libertado por pequenos frascos que continham um óleo. Curiosa, perguntei à senhora da tenda o que era e, embora com alguma dificuldade em compreendê-la, fiquei a saber que cada nome tinha a sua própria fragrância e esses pequenos óleos estavam feitos para cada nome. Assim, decidi comprar um pequeno frasco com o odor característico do meu nome, tendo porém alguma dificuldade em pagar à senhora uma vez que não estava habituada à rupia indiana.
Ao chegar ao meu destino, observei atentamente a minha nova escola. Era pequeníssima e antiga. À entrada da escola, uma senhora com um sari vermelho esperava-me. Era a directora da escola e falava muito bem inglês pelo que desta vez foi ela que teve alguma dificuldade em entender o que eu dizia. Começou por mostrar-me a escola que era, tal como se podia verificar do exterior, muito pequena. Finalmente acompanhou-me até à sala, onde iria ter aula, para poder conhecer a minha nova turma. Ao entrar na sala, muito nervosa, senti que todos aqueles olhes negros estavam pousados em mim, o que me causou alguma inquietação. Ao olhar para o quadro consegui entender que estavam a ter uma aula de matemática. A professora, muito simpática, sentou-se ao meu lado e durante toda a aula esteve-me a contar um bocado sobre Índia, uma vez que o meu conhecimento era muito pouco. Após terminada a aula, estava na hora do almoço. Quatro raparigas da minha turma, cujos nomes eram Saranja, Sharmila, Anjali e Priya vieram ter comigo e juntas dirigimo-nos para a cantina da escola. Ao entrar na cantina, cheguei a pensar que iria desmaiar devido ao cheiro intenso a comida que de alguma forma era pouco agradável. Por sorte as minhas colegas de turma aperceberam-se e fomo-nos sentar numa mesa perto da janela. Ao olhar para a comida desconhecida que se encontrava no meu tabuleiro, embora com algum receio, provei e rapidamente peguei no copo de água e tentei apagar o ardor que se tinha instalado na minha garganta. O famoso ‘’chapati e chutni’’ era muito picante. As quatro raparigas começaram-se a rir e decidi não comer mais. Após o almoço, deram-me a provar chá de limão. Já tinha ouvido dizer que os chás de Índia eram muito bons e ao provar aquele chá, de facto, não tinha mais nada a fazer senão concordar plenamente. Depois de um almoço agradável, instalamo-nos no corredor da escola, fugindo assim ao intenso sol e calor sufocante que era frequente em Índia. As minhas colegas de turma fizeram-me muitas perguntas acerca de como era a minha vida em Portugal, como era o meu país, como eram as escolas, as pessoas e a cultura. Com as minhas respostas que, na minha opinião, não eram nada de mais, elas ficavam admiradas de como diferente era Portugal. Quando chegou a minha vez de lhes fazer perguntas, fiquei igualmente admirada mas pela parte negativa, enquanto que elas ficaram pela positiva. Saranja vivia numa pequena casa bastante afastada da cidade, tendo que andar imenso a pé para chegar à escola. Vivia com a mãe e três irmãos, um deles mais velho. Quando chegava a casa ajudava a mãe nos trabalhos domésticos, cozinhava e cuidava dos irmãos mais novos, enquanto que a mãe ia trabalhar para uma pequena fábrica de tapetes. Sharmila vivia na cidade e os pais tinham uma pequena tenda que vendia saris, na qual aos fins-de-semana ia ajudar e. Como já tinha 17 anos, o pai já lhe tinha arranjado um marido e em breve iria-se casar, embora não gostasse do seu futuro marido. Anjaly e Priya eram irmãs e também elas viviam na cidade. A mãe estava muito doente e o pai não conseguia sustentar a família vendendo fruta, pelo que as duas raparigas, após as aulas, iam trabalhar para um pequeno super-mercado. Quando olhamos para o relógio já passava da hora do início da aula de inglês e corremos até à sala. A aula de inglês foi bastante animada porque o inglês falado em Índia é diferente do que costumamos ouvir, sendo assim engraçado ouvir indianos a falar inglês. Terminado este primeiro dia de aulas, Sharmila acompanhou-me até casa. Durante o percurso até casa, enquanto falava com Sharmila, senti de repente alguém tocar-me no ombro. Ao olhar, estava uma senhora velha atrás de mim, com um ar cansado e triste. Esticava a mão na minha direcção e suplicava por dinheiro. Assustada, recuei e fui empurrada por Sharmila, que mandava a velha senhora embora. Ainda assustada com o aspecto da senhora, que era horrível, e a pensar na súplica dela, Sharmila disse que é costume haver pessoas a pedir dinheiro e, muitas vezes comida, nas ruas de Chennai mas, que devia começar a acostumar-me a isso e simplesmente ignorar.
Finalmente tinha chegado a casa e foi nesse momento que a saudade por a minha ‘’antiga vida’’ começou a surgir e não consegui conter as lágrimas. Sentia falta dos meus amigos, da minha família, da minha casa, enfim, sentia falta de tudo.
Este dia ajudou-me a entender uma coisa: Só damos valor ao que temos quando o perdemos. Neste caso, umas semanas atrás, não dava muita importância a pequenas coisas que faziam parte da minha vida como, ir para a escola, passar esse tempo com os meus amigos e outros pequenos actos que eram frequentes. Após este dia, dava tudo para ter esses pequenos momentos de volta. Nas aulas de filosofia, quando abordamos o capítulo dos valores, aprendi que a pirâmide dos valores, que construímos, pode vir a mudar com o tempo e com a experiências que o indivíduo vai adquirindo ao longo da vida, assim como pode variar em função do grupo social e da cultura.
Indía é um país fascinante que, por detrás desse fascínio, esconde muita coisa. A pobreza extrema é visível nas suas cidades e ao mesmo tempo é completamente ignorada. As mulheres não são livres de escolher os seus maridos. Jovens são obrigados a trabalhar pelo facto de a família, de outra forma, não ter maneira de sobreviver. Tudo atinge a nossa sensibilidade, pelo que não podemos ficar impassíveis perante aquilo que nos rodeia. Porém não é o que acontece neste país. Na minha opinião, esta primeira experiência neste país tão diferente do nosso, certamente mudará a minha pirâmide dos valores. Liberdade vai começar a fazer parte dos meus valores, assim como dignidade humana e justiça. Nunca antes tinha reflectido sobre tais coisas podendo assim admitir que esta mudança me ajudou a reflectir melhor.
Após ter reflectido sobre isto, desloquei-me até à janela, abrindo-a, observando assim a cidade de Chennai coberta pela noite e respirando uma brisa de ar fresco que invadiu o quarto, pensando como seria o dia de amanhã e esperando que um dia me pudesse vir a habituar a esta novo país.
Publicado Por:
Alexandra Vaz
Afeganistão. Foi para lá que me dirigi, nas férias de Natal do ano passado. População: 22 789 000 pessoas.
Este era, seguramente um dia completamente normal para as todas as pessoas locais, já que cada um fazia o seu dia-a-dia na rua normalmente. Mas, para mim aquele dia iria ter uma importância acrescida para mim.
Quando cheguei a Cabul, a capital do Afeganistão, ia ser acolhida por um casal afegão, que se ofereceu, para me receber na sua casa. Já tinha ouvido falar da famosa burka, mas nunca tinha visto uma ao vivo e a cores. Quando vejo ambos, reparo então, na mulher, fitando-a atentamente. Estava coberta da cabeça aos pés e a única coisa que conseguia ver era os seus imperturbáveis olhos, quase estáticos, como se eles tivessem perdido a vida naquele preciso momento. A burka é uma espécie de véu que cobre o corpo inteiro das mulheres afegãs e que é obrigatório neste país. Quando saio lentamente do “ táxi”, reparo nas expressões de choque e de surpresa, do meu casal de acolhimento. De repente, eles fitam me dos pés à cabeça como se eu tivesse cometido algo de errado... Apercebo me que sou uma estranha para todos os que estavam perto de mim, pois não me vestia como a maioria das mulheres locais, e ainda para mais era estrangeira.
É então que começo a ouvir gritos por toda a parte e vejo durante uma milésima de um segundo, dois homens armados (polícias), a dirigirem - se na minha direcção.
Apercebi – me então que estava a cometer um grave crime: não tinha a burka vestida e estavam naquele preciso momento, a prender-me. Fui escoltada para um carro de patrulha e onde fui transportada para a esquadra local. Aí foram me lidos alguns dos direitos das mulheres talibãs, alguns dos quais acerca do vestuário a usar tais como:
“É obrigatório o uso de véu completo que as cubra da cabeça aos pés ”
“É proibido qualquer tipo de maquilhagem. Foram cortados os dedos a muitas mulheres por pintarem as unhas “
“ É proibido usar saltos altos que, ao andar, produzem sons perceptíveis pelos homens “
“ É proibido o uso de roupas coloridas ou consideradas sexualmente atractivas. “
“ É proibido o uso de calças compridas, mesmo debaixo do véu.”
“Se as mulheres não usarem as roupas adequadas e mostrarem os calcanhares, podem ser verbal e fisicamente agredidas, nomeadamente chicoteadas.”
Sendo assim, eu estava a infringir algumas regras de vestuário já que estava: de calças e com roupa colorida. Os polícias estavam agora a ler-me a sentença. Esta não deverá ser muito pesada, já que ainda era nessa altura, menor de idade, e assim, cumpriria uma pena mais leve do que o normal. Naquele momento, não estava muito preocupada com o que me ia acontecer já que, tinha desrespeitado numa grande escala, a cultura afegã, e sentia-me muito envergonhada, já que podia ter feito um pouco de pesquisa antes de sair de Portugal, para conhecer um pouco mais acerca desta cultura. No minuto seguinte, ouço um estrondo enorme e estridente atrás de mim. Parecia que todo o edifício tinha desabado, e com ele tinha levado as paredes da sala em que me encontrava. A partir deste momento desmaiei, perdi a consciência.
Não sei quanto tempo tinha passado ou se já tinha passado para outro mundo, senão o real. Acordei com uma estranha sensação que me tinham batido ou que estava demasiada perturbada para conseguir pensar e nem sequer ver. Tento então, clarificar as minhas ideias, para que o meu cérebro funcione novamente, e talvez pensar numa maneira que me tirava deste pesadelo rapidamente. Olho então para trás de mim, e vejo os dois polícias caídos no chão inconscientes, extremamente pálidos e com várias feridas na cara. Comecei a levantar – me mas parecia que não sabia andar e estava-me a tornar num robô. Estava muito nervosa com tudo o que tinha acontecido. Foi então que comecei a chorar e a tremer. Ao fim de algum tempo, consegui finalmente levantar-me no chão, e comecei a dirigir-me para o exterior do que restava da esquadra, ainda em estado de choque. Se eu achei que o sítio onde me encontrava antes estava em más condições, cá fora o cenário era muito pior e catastrófico. A atmosfera estava coberta por uma nuvem de fumo muito espessa, havia vários carros na rua a arder e ainda, imensos feridos.
As pessoas gritavam desesperadas “bomb!”, ou seja, tínhamos sido alvos de um atentado à bomba. Lembrei-me que tinha lido algures acerca da guerra que estava a acontecer no Afeganistão, à alguns anos atrás. O país estava em guerra devido ao conflito entre os Sunitas e os Xiítas, que pertencem ao Islamismo. Consegui fugir, e depois, refugie-me numa pequena pensão, longe da grande cidade de Cabul.
Agora estou de volta a Portugal, na minha casa para registar esse longo e inesquecível dia que passei nesse longínquo país. Entretanto, o governo afegão retirou-me a acusação, por ainda ser menor de idade. No fim disto tudo digo apenas que dei muito mais valor à mulher na cultura Ocidental, e ela deve ser tratada de forma igual aos homens. Apercebi me então das diferenças que existem entre o meu país e este que visitei, e fiquei feliz por não existirem essas regras em Portugal. Continuo a seguir com atenção, os casos de mulheres corajosas, que desafiam os seus valores culturais para mostrarem que têm de haver mudanças e lutam pela igualdade de direitos entre os dois sexos, mesmo que para isso sacrifiquem a sua vida, para dar voz a um grupo que se sente discriminado.
Nas duas perspectivas:
HOMEM:
O seu valor primordial seria neste caso, a obediência e a lealdade, já que as mulheres na sociedade afegã, são tidas como inferiores em relação aos homens.
MULHER:
O seu valor primordial seria a liberdade e a igualdade, já que estas são vistas como objectos na sua sociedade.
“ Os Homens representam a virtude e elas tudo quanto é pecado, motivo por que têm que expiar e carregar todos os males do Mundo. Porque eles são a virtude e elas o pecado. “
Elmano Madail
Este era, seguramente um dia completamente normal para as todas as pessoas locais, já que cada um fazia o seu dia-a-dia na rua normalmente. Mas, para mim aquele dia iria ter uma importância acrescida para mim.
Quando cheguei a Cabul, a capital do Afeganistão, ia ser acolhida por um casal afegão, que se ofereceu, para me receber na sua casa. Já tinha ouvido falar da famosa burka, mas nunca tinha visto uma ao vivo e a cores. Quando vejo ambos, reparo então, na mulher, fitando-a atentamente. Estava coberta da cabeça aos pés e a única coisa que conseguia ver era os seus imperturbáveis olhos, quase estáticos, como se eles tivessem perdido a vida naquele preciso momento. A burka é uma espécie de véu que cobre o corpo inteiro das mulheres afegãs e que é obrigatório neste país. Quando saio lentamente do “ táxi”, reparo nas expressões de choque e de surpresa, do meu casal de acolhimento. De repente, eles fitam me dos pés à cabeça como se eu tivesse cometido algo de errado... Apercebo me que sou uma estranha para todos os que estavam perto de mim, pois não me vestia como a maioria das mulheres locais, e ainda para mais era estrangeira.
É então que começo a ouvir gritos por toda a parte e vejo durante uma milésima de um segundo, dois homens armados (polícias), a dirigirem - se na minha direcção.

Apercebi – me então que estava a cometer um grave crime: não tinha a burka vestida e estavam naquele preciso momento, a prender-me. Fui escoltada para um carro de patrulha e onde fui transportada para a esquadra local. Aí foram me lidos alguns dos direitos das mulheres talibãs, alguns dos quais acerca do vestuário a usar tais como:
“É obrigatório o uso de véu completo que as cubra da cabeça aos pés ”
“É proibido qualquer tipo de maquilhagem. Foram cortados os dedos a muitas mulheres por pintarem as unhas “
“ É proibido usar saltos altos que, ao andar, produzem sons perceptíveis pelos homens “
“ É proibido o uso de roupas coloridas ou consideradas sexualmente atractivas. “
“ É proibido o uso de calças compridas, mesmo debaixo do véu.”
“Se as mulheres não usarem as roupas adequadas e mostrarem os calcanhares, podem ser verbal e fisicamente agredidas, nomeadamente chicoteadas.”
Sendo assim, eu estava a infringir algumas regras de vestuário já que estava: de calças e com roupa colorida. Os polícias estavam agora a ler-me a sentença. Esta não deverá ser muito pesada, já que ainda era nessa altura, menor de idade, e assim, cumpriria uma pena mais leve do que o normal. Naquele momento, não estava muito preocupada com o que me ia acontecer já que, tinha desrespeitado numa grande escala, a cultura afegã, e sentia-me muito envergonhada, já que podia ter feito um pouco de pesquisa antes de sair de Portugal, para conhecer um pouco mais acerca desta cultura. No minuto seguinte, ouço um estrondo enorme e estridente atrás de mim. Parecia que todo o edifício tinha desabado, e com ele tinha levado as paredes da sala em que me encontrava. A partir deste momento desmaiei, perdi a consciência.
Não sei quanto tempo tinha passado ou se já tinha passado para outro mundo, senão o real. Acordei com uma estranha sensação que me tinham batido ou que estava demasiada perturbada para conseguir pensar e nem sequer ver. Tento então, clarificar as minhas ideias, para que o meu cérebro funcione novamente, e talvez pensar numa maneira que me tirava deste pesadelo rapidamente. Olho então para trás de mim, e vejo os dois polícias caídos no chão inconscientes, extremamente pálidos e com várias feridas na cara. Comecei a levantar – me mas parecia que não sabia andar e estava-me a tornar num robô. Estava muito nervosa com tudo o que tinha acontecido. Foi então que comecei a chorar e a tremer. Ao fim de algum tempo, consegui finalmente levantar-me no chão, e comecei a dirigir-me para o exterior do que restava da esquadra, ainda em estado de choque. Se eu achei que o sítio onde me encontrava antes estava em más condições, cá fora o cenário era muito pior e catastrófico. A atmosfera estava coberta por uma nuvem de fumo muito espessa, havia vários carros na rua a arder e ainda, imensos feridos.
As pessoas gritavam desesperadas “bomb!”, ou seja, tínhamos sido alvos de um atentado à bomba. Lembrei-me que tinha lido algures acerca da guerra que estava a acontecer no Afeganistão, à alguns anos atrás. O país estava em guerra devido ao conflito entre os Sunitas e os Xiítas, que pertencem ao Islamismo. Consegui fugir, e depois, refugie-me numa pequena pensão, longe da grande cidade de Cabul. Agora estou de volta a Portugal, na minha casa para registar esse longo e inesquecível dia que passei nesse longínquo país. Entretanto, o governo afegão retirou-me a acusação, por ainda ser menor de idade. No fim disto tudo digo apenas que dei muito mais valor à mulher na cultura Ocidental, e ela deve ser tratada de forma igual aos homens. Apercebi me então das diferenças que existem entre o meu país e este que visitei, e fiquei feliz por não existirem essas regras em Portugal. Continuo a seguir com atenção, os casos de mulheres corajosas, que desafiam os seus valores culturais para mostrarem que têm de haver mudanças e lutam pela igualdade de direitos entre os dois sexos, mesmo que para isso sacrifiquem a sua vida, para dar voz a um grupo que se sente discriminado.
Nas duas perspectivas:
HOMEM:
O seu valor primordial seria neste caso, a obediência e a lealdade, já que as mulheres na sociedade afegã, são tidas como inferiores em relação aos homens.
MULHER:
O seu valor primordial seria a liberdade e a igualdade, já que estas são vistas como objectos na sua sociedade.
“ Os Homens representam a virtude e elas tudo quanto é pecado, motivo por que têm que expiar e carregar todos os males do Mundo. Porque eles são a virtude e elas o pecado. “
Elmano Madail
Publicado Por:
Mariana Godinho
Eu, de férias…
Como destino de férias escolho a capital indiana, Nova Délhi, talvez por ser um destino de férias com uma cultura totalmente diferente da minha. Esta é a experiência que vos vou contar:
Saio do aeroporto e o que é que vejo?
Uma multidão de indianos a andar de bicicleta, moto bicicleta, e “alguns” carros parecia que tinha entrado num autêntico “formigueiro”, o que me deixou muito espantado.
Quando o guia veio-me dizer que estava na altura de almoçar, (já não era sem tempo) levou-me até ao restaurante do hotel.

O empregado trouxe-me uma lista de pratos disponíveis para pedir, como não percebia nada de cozinha indiana pedi um prato completamente à sorte, Tanduri, quando o empregado trouxe o prato apercebi-me que era uma boa escolha, frango temperado com ervas aromáticas e assado em forno de barro e para beber nimbu pani (limonada).
Assisti a uma demonstração de dança clássica indiana, Bharathanatyam é um estilo dançado essencialmente por mulheres, com vestidos típicos indianos ao ritmo de música indiana.
Visitei alguns santuários religiosos indianos, no centro de Nova Délhi. A religião na índia tem uma força muito grande, muitas das obras que os indianos fazem são inspiradas na religião, apercebi-me então que a filosofia indiana está muito ligada à religião.
Um dos principais motivos que me levou a escolher a Índia como destino de férias foi Khumba Mela, o principal festival do hinduísmo e o maior festival religioso do mundo, que ocorre quatro vezes a cada 12 anos, em Allahabad, onde milhões de devotos hindus se reúnem para se banhar no Sangam, local de encontro dos rios sagrados Ganges, Yamuna e Saraswati para se purificar.

Quando lá cheguei fiquei estupefacto, nunca tinha visto tanta gente junta, uma concentração de cerca de 70 milhões de pessoas, nem sequer consegui chegar as margens do rio era “impossível”, fiquei a ver apenas, de um sítio alto com o resto do grupo, aqueles fanáticos a entrarem para o rio como se fosse uma necessidade de vida.
No final da viagem, fico descontente de ir embora e o tempo ter passado depressa, nunca pensei que a mentalidade dos indianos fosse tão diferente da Europa Ocidental e isso explica a grande diferença de valores primordiais ao ponto de dar mais valor a uma vaca do que a uma pessoa. Estou aqui no avião de regresso a Portugal, já com a ideia de um dia regressar, apesar de ser contra alguns costumes indianos.
Como destino de férias escolho a capital indiana, Nova Délhi, talvez por ser um destino de férias com uma cultura totalmente diferente da minha. Esta é a experiência que vos vou contar:
Saio do aeroporto e o que é que vejo?
Uma multidão de indianos a andar de bicicleta, moto bicicleta, e “alguns” carros parecia que tinha entrado num autêntico “formigueiro”, o que me deixou muito espantado.
Quando o guia veio-me dizer que estava na altura de almoçar, (já não era sem tempo) levou-me até ao restaurante do hotel.

O empregado trouxe-me uma lista de pratos disponíveis para pedir, como não percebia nada de cozinha indiana pedi um prato completamente à sorte, Tanduri, quando o empregado trouxe o prato apercebi-me que era uma boa escolha, frango temperado com ervas aromáticas e assado em forno de barro e para beber nimbu pani (limonada).
Assisti a uma demonstração de dança clássica indiana, Bharathanatyam é um estilo dançado essencialmente por mulheres, com vestidos típicos indianos ao ritmo de música indiana.
Visitei alguns santuários religiosos indianos, no centro de Nova Délhi. A religião na índia tem uma força muito grande, muitas das obras que os indianos fazem são inspiradas na religião, apercebi-me então que a filosofia indiana está muito ligada à religião.
Um dos principais motivos que me levou a escolher a Índia como destino de férias foi Khumba Mela, o principal festival do hinduísmo e o maior festival religioso do mundo, que ocorre quatro vezes a cada 12 anos, em Allahabad, onde milhões de devotos hindus se reúnem para se banhar no Sangam, local de encontro dos rios sagrados Ganges, Yamuna e Saraswati para se purificar.

Quando lá cheguei fiquei estupefacto, nunca tinha visto tanta gente junta, uma concentração de cerca de 70 milhões de pessoas, nem sequer consegui chegar as margens do rio era “impossível”, fiquei a ver apenas, de um sítio alto com o resto do grupo, aqueles fanáticos a entrarem para o rio como se fosse uma necessidade de vida.
No final da viagem, fico descontente de ir embora e o tempo ter passado depressa, nunca pensei que a mentalidade dos indianos fosse tão diferente da Europa Ocidental e isso explica a grande diferença de valores primordiais ao ponto de dar mais valor a uma vaca do que a uma pessoa. Estou aqui no avião de regresso a Portugal, já com a ideia de um dia regressar, apesar de ser contra alguns costumes indianos.
Publicado Por:
Gonçalo Pinheiro
Contraste de valores
Ban Nai Soi , Janeiro de 2010
Queridos pais,
Já estou aqui há muito tempo, tanto que não sou capaz de me lembrar do vosso rosto. As saudades são tantas que decidi escrever-vos, para ver se este aperto que tenho acaba. Não vos telefonei antes porque não existem meios de comunicação, alias nem sequer existe uma casa de banho quanto mais.
Vocês sabem de como eu ia ansiosa para ver e conviver com a verdadeira natureza, mas isso não passou de uma utopia. Todos aqueles paradigmas que me incutiram sobre o que era a verdadeira natureza, como se a sociedade em geral soubesse o que é a verdadeira natureza e pobreza.
Nesta aldeia, conheci uma tribo chamada Karén ou, mais popularmente conhecida, por "as Karén de pescoço comprido". Para os conhecer de perto tive de pagar 250 Bath (5 euros), disseram-me que eram do governo da Tailândia e que os fundos eram para ajudar esta etnia. Para vos ser sincera, não acreditei no que me disseram, nem mesmo quando me apontaram uma arma, pois, a Tailândia não consideram tailandeses os Karén, mantendo-os prisioneiros ao ar livre, com fronteiras bem vigiladas para ninguém sair, a não ser os turistas.
Os Karén são apenas uns refugiados e prisioneiros, fugiram para o meio da natureza para conseguirem criar as suas próprias leis, no entanto, acabaram por ficar prisioneiros ao ar livre.
Todos os que entram nesta aldeia, ficam fascinados pelas espirais que as mulheres têm no pescoço, tirando-lhes fotografias como se tratassem de animais num jardim zoológico, acabando até por lhes chamar " as mulheres girafa".
Uma coisa que me impressionou foi...conhecer a Major. Ela tinha 19 anos e conseguia falar tantas línguas com muita perfeição que ...fiquei estupefacta, pois as escolas de lá, se é que se pode chamar escola àquilo, não tinham professores de línguas estrangeiras. Inglês, Espanhol, Francês, Basco, Catalão, Galego... mesmo muito surpreendente, tudo aprendido com turistas como eu.
Desde o início, gostamos uma da outra e até me convidou para ficar lá por uns tempos, mas com a condição de ela me mostrar e ensinar a sua cultura e eu ensinar-lhe Português (era a única língua que ela ainda não tinha aprendido).
A Major explicou-me que quando tinha 5 anos, a mãe lhe colocara 5 espirais no pescoço, pois para elas as espirais significavam elegância e serviam para mostrar a riqueza das mulheres. Por vezes, estas espirais funcionam como castigo, pois,quando as mulheres cometiam o adultério, eram-lhes retiradas as espirais e assim as mulheres passavam a ser consideradas mortas (espiritualmente). Olhem, se fosse na nossa sociedade, quantas é que seriam assim...já imaginaram?
De manhã, bem cedo (sem tomar o pequeno-almoço...mas que fomeca) preparamos as tendas para vender alguma coisa àqueles turistas que vinham visitar "as mulheres girafa". Mas que nervos que me deram aqueles estrangeiros comportarem-se como se nós fossemos animais(nós,porque nesse dia, eu também tinha espirais no pescoço, 5 para ser mais especifica). Aí...como são tão pesadas, só consegui andar com aquilo durante 2 horas...acho que não está mal para quem não está habituada a isto.
Entretanto, já eram horas de jantar e eu tive de ir comer, não sei bem se aquilo eram gafanhotos ou minhocas, mas pensando bem, até era saboroso...(tenho saudades dos cozinhados da mamã,..uuaahhh). Pior de tudo, é quando chove, há sempre umas quantas pingas que me molham toda e o chão onde durmo, até é engraçado...pois continuo a gostar da trovoada.
Dentro de 3 dias, estou de volta a casa.
Uma regalia que a Major não tem, visto que não pode sair daqui, nós bem tentámos mas nada...mas, mesmo não sabendo como o mundo é lá fora, ela sabe que é bem diferente, e sabe Português, nada mau para quem nunca saiu desta prisão ao ar livre.
Antes de me ir embora, vi que eram FELIZES, mesmo aqui aprisionados sempre sonhando e com a esperança de algum dia puderem sair da aldeia(um sonho improvável de se concretizar, mas não impossível),sempre com a eterna dúvida "será que o mundo lá fora é mais belo do que aqui?". Uma resposta que todos os turistas como eu não sabem responder.
Mas quando chegar, conto-vos mais coisas espantosas, que a Major em ensinou.
Grandes beijos, da vossa filha que vos ama muito,
Inês Andias Ferreira
P.S.- Papá, tinhas razão, o mais importante é a nossa LIBERDADE.
Publicado Por:
Andias Ferreira,
nº12
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Em Busca do Conhecimento Grego
1 de Agosto de 2010 
Hoje vou ter a oportunidade, talvez única, de conhecer a Grécia e aprofundar a imensa filosofia que até agora ouvi falar.
Não é que seja um destino de sonho mas já que surgiu o melhor é aproveitar!
A curiosidade e o nervosismo apertam cada vez mais, visto que é a primeira vez que ponho os pés num avião.
Sempre ouvi dizer que em Agosto há uma grande vaga de calor por aqueles lados e por isso não sei se este mês foi o indicado para esta viagem, mas vamos a isto!
2 de Agosto de 2010
Acabei de me instalar num hotel em Atenas – “Electra Palace”- cinco estrelas, um luxo sem duvida!
Estava exausta da viagem, mas a sedução daquela cidade parecia que me chamava.
Sinceramente apercebi-me que essa sedução não passou de uma ilusão quando resolvi
sair à rua e ver apenas pedras à minha volta!
Gulosa como sou e com a barriga a implorar por comida, não resisti em provar a culinária. Enquanto em S. João da Madeira comia por vezes o Kebab ‘rasca’ no shopping 8ª Avenida, cá pude provar o original sabor! Sabores deliciosos e baratos, felizmente. A crise é mais visível na Grécia do que em Portugal, por isso não me admirei dos económicos produtos.
Já com o estômago cheio e com a consciência composta, fui visitar lugares. Enxerguei
que o monte de pedras eram os maravilhosos monumentos com milhares de anos, que se encontram em postais tão frequentemente!
Infelizmente foi o facto de não faltarem piropos, drogados e ladrões. Certamente há gente muito desocupada!
Voltei para o quarto de hotel e desfrutei o resto da noite com direito a todas as regalias possíveis.
3 de Agosto de 2010
Sendo conselho da recepcionista, acordei às 5:30 para aproveitar para ver o maravilhoso nascer do sol. É realmente único e nunca semelhante ao nosso português.
Hoje aproveitei para fazer conhecimentos a nível filosófico e não só. Visto que os gregos tiveram uma grande influencia mundialmente devido às artes: pelos seus espantosos monumentos onde mostram grande esplendor cultural; desportos: pois foram os gregos que desenvolveram os jogos olímpicos em homenagem aos seus deuses, principalmente Zeus; tecnologia e ciências; mitologia: em que para explicarem os acontecimentos no mundo, os gregos criaram mitos e lendas em que eram envolvidos monstros, heróis e deuses como o conhecido ‘Cavalo de Tróia’ e ‘Os Doze trabalhos de Hércules’; teatro, e claro, o grande desenvolvimento filosófico em Atenas onde os filósofos gregos pensavam e criavam teorias para explicar a complexa existência humana, os comportamentos e sentimentos, como principais filósofos gregos Platão e Sócrates.
Juntamente com os Filósofos, os Sofistas também se destacaram pois eram as pessoas
que estavam contra os pensamentos gregos filosóficos. Os sofistas questionavam coisas já

Hoje vou ter a oportunidade, talvez única, de conhecer a Grécia e aprofundar a imensa filosofia que até agora ouvi falar.
Não é que seja um destino de sonho mas já que surgiu o melhor é aproveitar!
A curiosidade e o nervosismo apertam cada vez mais, visto que é a primeira vez que ponho os pés num avião.
Sempre ouvi dizer que em Agosto há uma grande vaga de calor por aqueles lados e por isso não sei se este mês foi o indicado para esta viagem, mas vamos a isto!
2 de Agosto de 2010
Acabei de me instalar num hotel em Atenas – “Electra Palace”- cinco estrelas, um luxo sem duvida!
Estava exausta da viagem, mas a sedução daquela cidade parecia que me chamava.
Sinceramente apercebi-me que essa sedução não passou de uma ilusão quando resolvi
sair à rua e ver apenas pedras à minha volta!
Gulosa como sou e com a barriga a implorar por comida, não resisti em provar a culinária. Enquanto em S. João da Madeira comia por vezes o Kebab ‘rasca’ no shopping 8ª Avenida, cá pude provar o original sabor! Sabores deliciosos e baratos, felizmente. A crise é mais visível na Grécia do que em Portugal, por isso não me admirei dos económicos produtos.
Já com o estômago cheio e com a consciência composta, fui visitar lugares. Enxerguei
que o monte de pedras eram os maravilhosos monumentos com milhares de anos, que se encontram em postais tão frequentemente!
Infelizmente foi o facto de não faltarem piropos, drogados e ladrões. Certamente há gente muito desocupada!
Voltei para o quarto de hotel e desfrutei o resto da noite com direito a todas as regalias possíveis.
3 de Agosto de 2010
Sendo conselho da recepcionista, acordei às 5:30 para aproveitar para ver o maravilhoso nascer do sol. É realmente único e nunca semelhante ao nosso português.
Hoje aproveitei para fazer conhecimentos a nível filosófico e não só. Visto que os gregos tiveram uma grande influencia mundialmente devido às artes: pelos seus espantosos monumentos onde mostram grande esplendor cultural; desportos: pois foram os gregos que desenvolveram os jogos olímpicos em homenagem aos seus deuses, principalmente Zeus; tecnologia e ciências; mitologia: em que para explicarem os acontecimentos no mundo, os gregos criaram mitos e lendas em que eram envolvidos monstros, heróis e deuses como o conhecido ‘Cavalo de Tróia’ e ‘Os Doze trabalhos de Hércules’; teatro, e claro, o grande desenvolvimento filosófico em Atenas onde os filósofos gregos pensavam e criavam teorias para explicar a complexa existência humana, os comportamentos e sentimentos, como principais filósofos gregos Platão e Sócrates.
Juntamente com os Filósofos, os Sofistas também se destacaram pois eram as pessoas
que estavam contra os pensamentos gregos filosóficos. Os sofistas questionavam coisas já
aprovadas, o que provocava uma certa raiva nos filósofos. Eles diziam o que pensavam às pessoas interessadas, em troca de dinheiro ou materiais valiosos.
Acabado este dia cansativo com tanta informação sobre este povo voltei para a minha
suite preparar-me para mais um dia cheio de surpresas.
4 de Agosto de 2010
Com as malas já feitas para o final desta viagem, a decisão foi que haveria de voltar não de avião mas sim no cruzeiro a partir das Ilhas Gregas, mais propriamente da Ilha Santorini. A caminho desta, vi uma imensidão de ciganos aos berros a reclamar pela falta de necessidades, como higiene ou alimentação e com aspecto bastante machista. Certamente que a educação dos gregos não era nada daquilo.
Como se costuma dizer que o melhor fica para ultimo, desfrutei do bom tempo de Agosto naquele deslumbrante barco e a recordar a minha pirâmide de valores em que o valor primordial defini sendo a Felicidade. Sabendo que não é algo fixo mas que pode vir a mudar ao longo da vida de acordo com a vivência pessoal. Neste momento não mudaria porque todo este conhecimento que adquirimos no mundo e a experiência que alcançamos com outras culturas traz de certo felicidade evoluindo assim a identidade de cada um e até mesmo a auto-realização.
Acabado este dia cansativo com tanta informação sobre este povo voltei para a minha
suite preparar-me para mais um dia cheio de surpresas.
4 de Agosto de 2010

Com as malas já feitas para o final desta viagem, a decisão foi que haveria de voltar não de avião mas sim no cruzeiro a partir das Ilhas Gregas, mais propriamente da Ilha Santorini. A caminho desta, vi uma imensidão de ciganos aos berros a reclamar pela falta de necessidades, como higiene ou alimentação e com aspecto bastante machista. Certamente que a educação dos gregos não era nada daquilo.
Como se costuma dizer que o melhor fica para ultimo, desfrutei do bom tempo de Agosto naquele deslumbrante barco e a recordar a minha pirâmide de valores em que o valor primordial defini sendo a Felicidade. Sabendo que não é algo fixo mas que pode vir a mudar ao longo da vida de acordo com a vivência pessoal. Neste momento não mudaria porque todo este conhecimento que adquirimos no mundo e a experiência que alcançamos com outras culturas traz de certo felicidade evoluindo assim a identidade de cada um e até mesmo a auto-realização.
Publicado Por:
Patrícia Martins.
Estado de Orissa - Índia

Olho à minha volta, estou no Estado de Orissa na Indía. Tudo é estranho, diferente, não conheço nada nem ninguém, apenas a minha mãe e o meu “eu”. Cheguei hoje e as saudades do meu país já são muitas. Amanhã será um novo dia, será que vou gostar de estar aqui? Será que vou ser feliz neste lugar? Será que alguma coisa irá mudar, a minha personalidade, o meu “eu”? São muitas as perguntas sem resposta e só o tempo me poderá esclarecer quanto a isto...
A minha mãe está feliz e eu tenho que estar feliz por ela, temos que nos ajudar nesta mudança radical. Segundo a minha pirâmide dos valores que defini à algum tempo atrás, a família é o meu valor primordial e só quero que ela esteja bem, seguindo-se a humildade, a auto realização, o amor e a saúde.
Ela apresentou-me a filha de uma colega do seu novo trabalho chamada Yasmin Provoska. É uma bela rapariga e por acaso é da minha escola, até agora temos andado sempre juntas apesar da dificuldade em comunicarmos pois a pronúncia inglesa tem pequenas diferenças. A Yasmin tem sido uma ajuda preciosa e tenho aprendido muitas coisas novas sobre a sua cultura, a sua forma de viver, os cozinhados típicos e a sua religião. Aqui é tudo estranho, nada parecido com Portugal.
Estou aqui à pouco tempo, mas o suficiente para perceber a tristeza que envolve os olhos escuros da Yasmin, foi aí que lhe perguntei o porquê? Ela decidiu desabafar comigo, visto que não tem mais ninguém com quem falar, e contou-me que a sua mãe tem sofrido muito desde que se casou com o seu pai. A mãe da Yasmin quando tinha dezasseis anos foi obrigada a casar-se pelos pais, e desde aí que sofre de maus tratos, abusos sexuais e a liberdade que tem é mínima, apenas pode estar em casa a fazer os seus trabalhos domésticos (com as menores condições de vida) e cuidar da sua filha, mais nada. No nosso país uma mulher neste estado já estava divorciada há longos anos, mas aqui não, seria uma vergonha para a família da mãe da Yasmin. Neste país os homens tratam as mulheres como se fossem um objecto, nunca tinha visto tanta crueldade, assistir a esta maldade toda com os meus próprios olhos é mesmo muito triste!
Hoje vejo as coisas de outra forma, os meus principais valores são: a família, o amor, a coragem (que as mulheres deste país têm que ter), a dignidade e a liberdade (que antes nem dava importância e hoje vejo que é realmente essencial para estarmos bem connosco próprios), por esta ordem respectivamente. Nunca pensei muito nas noticias que via no telejornal, mas é mesmo a realidade do Mundo em que vivemos com tantas desigualdades e injustiças. Agora sim, depois de ver tudo isto consigo responder a todas as perguntas que me questionava no primeiro dia em que cheguei à Índia. Sou feliz aqui, aprendi a dar valor a coisas que nunca tinha pensado antes e percebi que os nossos valores não são eternos e mudam consoante as situações que surgirão na nossa vida!
A minha mãe está feliz e eu tenho que estar feliz por ela, temos que nos ajudar nesta mudança radical. Segundo a minha pirâmide dos valores que defini à algum tempo atrás, a família é o meu valor primordial e só quero que ela esteja bem, seguindo-se a humildade, a auto realização, o amor e a saúde.
Ela apresentou-me a filha de uma colega do seu novo trabalho chamada Yasmin Provoska. É uma bela rapariga e por acaso é da minha escola, até agora temos andado sempre juntas apesar da dificuldade em comunicarmos pois a pronúncia inglesa tem pequenas diferenças. A Yasmin tem sido uma ajuda preciosa e tenho aprendido muitas coisas novas sobre a sua cultura, a sua forma de viver, os cozinhados típicos e a sua religião. Aqui é tudo estranho, nada parecido com Portugal.
Estou aqui à pouco tempo, mas o suficiente para perceber a tristeza que envolve os olhos escuros da Yasmin, foi aí que lhe perguntei o porquê? Ela decidiu desabafar comigo, visto que não tem mais ninguém com quem falar, e contou-me que a sua mãe tem sofrido muito desde que se casou com o seu pai. A mãe da Yasmin quando tinha dezasseis anos foi obrigada a casar-se pelos pais, e desde aí que sofre de maus tratos, abusos sexuais e a liberdade que tem é mínima, apenas pode estar em casa a fazer os seus trabalhos domésticos (com as menores condições de vida) e cuidar da sua filha, mais nada. No nosso país uma mulher neste estado já estava divorciada há longos anos, mas aqui não, seria uma vergonha para a família da mãe da Yasmin. Neste país os homens tratam as mulheres como se fossem um objecto, nunca tinha visto tanta crueldade, assistir a esta maldade toda com os meus próprios olhos é mesmo muito triste!
Hoje vejo as coisas de outra forma, os meus principais valores são: a família, o amor, a coragem (que as mulheres deste país têm que ter), a dignidade e a liberdade (que antes nem dava importância e hoje vejo que é realmente essencial para estarmos bem connosco próprios), por esta ordem respectivamente. Nunca pensei muito nas noticias que via no telejornal, mas é mesmo a realidade do Mundo em que vivemos com tantas desigualdades e injustiças. Agora sim, depois de ver tudo isto consigo responder a todas as perguntas que me questionava no primeiro dia em que cheguei à Índia. Sou feliz aqui, aprendi a dar valor a coisas que nunca tinha pensado antes e percebi que os nossos valores não são eternos e mudam consoante as situações que surgirão na nossa vida!
Publicado Por:
Inês Silva,
nº12
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