quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Estado de Orissa - Índia


Olho à minha volta, estou no Estado de Orissa na Indía. Tudo é estranho, diferente, não conheço nada nem ninguém, apenas a minha mãe e o meu “eu”. Cheguei hoje e as saudades do meu país já são muitas. Amanhã será um novo dia, será que vou gostar de estar aqui? Será que vou ser feliz neste lugar? Será que alguma coisa irá mudar, a minha personalidade, o meu “eu”? São muitas as perguntas sem resposta e só o tempo me poderá esclarecer quanto a isto...
A minha mãe está feliz e eu tenho que estar feliz por ela, temos que nos ajudar nesta mudança radical. Segundo a minha pirâmide dos valores que defini à algum tempo atrás, a família é o meu valor primordial e só quero que ela esteja bem, seguindo-se a humildade, a auto realização, o amor e a saúde.
Ela apresentou-me a filha de uma colega do seu novo trabalho chamada Yasmin Provoska. É uma bela rapariga e por acaso é da minha escola, até agora temos andado sempre juntas apesar da dificuldade em comunicarmos pois a pronúncia inglesa tem pequenas diferenças. A Yasmin tem sido uma ajuda preciosa e tenho aprendido muitas coisas novas sobre a sua cultura, a sua forma de viver, os cozinhados típicos e a sua religião. Aqui é tudo estranho, nada parecido com Portugal.
Estou aqui à pouco tempo, mas o suficiente para perceber a tristeza que envolve os olhos escuros da Yasmin, foi aí que lhe perguntei o porquê? Ela decidiu desabafar comigo, visto que não tem mais ninguém com quem falar, e contou-me que a sua mãe tem sofrido muito desde que se casou com o seu pai. A mãe da Yasmin quando tinha dezasseis anos foi obrigada a casar-se pelos pais, e desde aí que sofre de maus tratos, abusos sexuais e a liberdade que tem é mínima, apenas pode estar em casa a fazer os seus trabalhos domésticos (com as menores condições de vida) e cuidar da sua filha, mais nada. No nosso país uma mulher neste estado já estava divorciada há longos anos, mas aqui não, seria uma vergonha para a família da mãe da Yasmin. Neste país os homens tratam as mulheres como se fossem um objecto, nunca tinha visto tanta crueldade, assistir a esta maldade toda com os meus próprios olhos é mesmo muito triste!
Hoje vejo as coisas de outra forma, os meus principais valores são: a família, o amor, a coragem (que as mulheres deste país têm que ter), a dignidade e a liberdade (que antes nem dava importância e hoje vejo que é realmente essencial para estarmos bem connosco próprios), por esta ordem respectivamente. Nunca pensei muito nas noticias que via no telejornal, mas é mesmo a realidade do Mundo em que vivemos com tantas desigualdades e injustiças. Agora sim, depois de ver tudo isto consigo responder a todas as perguntas que me questionava no primeiro dia em que cheguei à Índia. Sou feliz aqui, aprendi a dar valor a coisas que nunca tinha pensado antes e percebi que os nossos valores não são eternos e mudam consoante as situações que surgirão na nossa vida!

Nova Morada

Nova Délhi, capital da Índia vai ser a partir de agora a minha nova morada. Este é o meu segundo dia na Índia. Ontem cheguei por volta das 18h, foi um final do dia muito cansativo. Começamos por desfazer as malas e limpar a casa onde iremos ficar instalados.
Eram 20h e a barriga começou a “dar horas”, estava esfomeada… Quando acabei de jantar, foi logo para a cama. Estava com algum receio que estranhasse a minha nova cama e não conseguisse adormecer, mas estava enganada, foi, como se costuma dizer, “tiro e queda”.
São 8h da manha, acordei com a esperança de olhar pela janela e ver a minha pequena e bela cidade de S. João da Madeira, mas isso não acontecera, agora tudo são apenas memórias daquela bela cidade.
Enquanto olhava pela janela pensei no tema que tinha dado recentemente nas aulas de filosofia sobre os valores e valoração. Cada um construiu a sua pirâmide de valores em função das suas prioridades, e com isso aprendi que ao longo da vida esta pirâmide poderia sofrer modificações. Seria este um desses momentos? Nessa minha pirâmide o meu valor primordial é a família e penso que independentemente das “vira-voltas” que a minha vida virá a sofrer, esse valor irá permanecer sempre em primeiro lugar, principalmente agora. Em relação aos outros valores, só com o tempo saberei se irão ser modificados ou não.
Neste momento o meu principal objectivo é tentar saber mais sobre a cultura indiana para me poder integrar. Decidi pegar na minha mochila e ir visitar as ruas da cidade, monumentos, para me ajudarem a conhecer melhor a cultura indiana.
O que sempre me atraiu na índia e na sua cultura foram os seus monumentos característicos, o modo como as pessoas se vestem, aqueles vestidos compridos e brilhantes… Apesar disso, há coisas que ainda me assustam, como por exemplo as regras e crenças que as mulheres são obrigadas a viver e obedecer.

Ao explorar a cidade apercebi-me que quase tudo na Índia é baseado na espiritualidade. O grande propósito da cultura indiana é conhecer Deus, seja em seus aspecto pessoal ou impessoal.
Quando ia a caminho de casa passei por um centro de comércio, havia uma grande multidão naquela zona, de longe pareciam todos umas formigas irrequietas a andar de um lado para o outro. Enquanto andava a ver aqueles brilhantes vestidos numa tendinha que lá existia apercebi-me que numa tenda ao lado existia umas figuras pequenas de pessoas com cabeça de animais. Naquele momento achei um bocado estranho, por que razão é que alguém iria comprar aquilo? Que piada é que aquilo tinha? Foi então que perguntei ao vendedor que por sua vez era muito simpático que significado é que aquilo tinha. Ele chamava-se kabir e explicou-me que aquilo era os vários deuses da religião Hindu. Também me explicou que a espiritualidade indiana está profundamente enraizada em tradições filosóficas e religiosas.
A Filosofia surgiu na Índia como uma pergunta sobre os mistérios da vida e da existência. Os sábios descobriram que a verdadeira natureza do homem não é o corpo ou a mente, que estão sujeitos a mudanças e ao perecimento, mas sim o espírito que é imortal e de pura consciência.
A principal mensagem desta cultura é a aquisição de conhecimento e o afastamento da ignorância. A ignorância representa a escuridão e o conhecimento a luz.
Fiquei muito fascinada pela maneira como a cultura indiana encare as coisas e como é a sua filosofia, estes preocupam-se essencialmente em conhecerem-se a eles próprios e nunca permanecerem neutros, na sua ignorância.
Cheguei a casa estupefacta com as coisas que tinha aprendido naquele dia, quem diria que a cultura indiana fosse tão interessante. A índia passou assim não só a ser uma nova morada mas também um novo caminho de luz na minha vida.

Depois de 6 meses na Arábia Saudita.............

Dia 16 de Fevereiro de 2010

Acabo de chegar à Arábia Saudita. É sexta-feira e são, sensivelmente, 11:50. Custou-me largar a minha família, os meus amigos, mas tive de o fazer. A proposta era irrecusável. Trabalharia para um grande chefe duma agência petrolífera, a receber um bom ordenado. E sempre posso visitá-los nas férias e falar com eles todos os dias pois as novas tecnologias permitem-no.

Está calor e, por isso, estou de t-shirt e calções. Apesar do grande calor (deve andar por volta dos 39ºC), as mulheres estão com compridos véus negros a cobrir-lhes o rosto, apenas deixando à vista os olhos. Neles, consigo detectar alguma infelicidade. Pergunto ao meu guia porque andam elas assim. Ele diz-me que as mulheres apenas podem mostrar o corpo ao seu marido.

Ando pelas ruas e vejo uma mesquita. O guia diz-me que está quase na hora da oração pública e ele, como era muito devoto à religião, tinha de rezar, pedindo-me para o acompanhar e, deste modo, conhecer mais um pouco da sua cultura. Eu aceito o convite.

Durante o caminho até à mesquita, ele diz-me que após a oração pública irá realizar-se o khutbah.

Ele explica-me que o khutbah não é um sermão religioso, mas sim um discurso onde se aprofundam as questões políticas, sociais e morais que dizem respeito à comunidade islâmica.

A adesão é enorme, como deduzi, pois sabe-se que os árabes são muito religiosos, chegando até ao fanatismo.

A reunião termina e vamos almoçar. Eu peço carne de porco ao empregado e ele quase que me mata ali, ameaçando-me com uma faca. O meu guia, mostrando sangue-frio, levanta-se e começa a falar com ele, explicando-lhe que eu era um turista e do país de onde eu vinha era muito frequente comer-se carne de porco.

Ele lança-me um olhar fulminante e diz para sairmos imediatamente do estabelecimento.

Saímos e eu peço desculpa ao guia por tê-lo colocado naquela situação. Ele esboça um sorriso e diz-me que, para a próxima, eu devo pedir peixe.

Encontramos outro restaurante e entramos. Eu sigo a recomendação do guia e peço peixe.

Após o almoço, vou falar com o meu futuro chefe, um senhor de uma idade avançada, a quem chamam de Xeque Muwafaqq.

Ele faz-me a proposta, apresenta-me o papel do contrato. Eu leio atentamente e assino.

Dia 16 de Agosto de 2010

Passados 6 meses, a minha vida é totalmente diferente.

A religião, que antes não tinha qualquer importância, passou a ser a coisa mais importante para mim. Assisto a todas as reuniões na mesquita, respeito todas as horas de oração. Converti-me ao islamismo talvez por medo de ser excluído, talvez por ver aquela grande fé.

Também fiquei mais machista. O poder que os homens têm sobre as mulheres na Arábia é imenso. Elas fazem tudo o que quisermos, como se de animais de estimação se tratassem.

A minha humildade desapareceu, dando lugar à arrogância e a uma superioridade que nunca antes tinha sentido.

Não contacto a minha família já há algum tempo pois, agora, considero-os inferiores a mim por serem de outra religião. Em certa parte, são meus inimigos.

O poder transformou-me. Agora sou tudo o que nunca pensei ser, o que odiava que as pessoas fossem: um ser machista, arrogante, que usa o poder para ter tudo o que quer e que submete os outros aos seus desejos.

Há 6 meses atrás, considerar-me-ia um ser repugnante. No entanto, sinto-me bem com o que tenho, com o que sou. Nunca pensei que a cultura pudesse mudar tanto os interesses e a personalidade das pessoas, mas parece que estava errado.

Voluntariado no Haiti.

21 de Junho de 2010
Dia 3 de Junho, depois do jantar, os meus pais disseram-nos que queriam ter uma conversa familiar comigo e com o meu irmão mais velho. Ao princípio fiquei um pouco assustada (pensei mesmo que a minha mãe estivesse grávida… pela quinta vez!).

Mas não era uma nova gravidez, era a notícia de uma proposta que tinha sido feita aos meus pais: a proposta de ir fazer trabalho de voluntariado durante meio ano para o Haiti. Ao início fiquei um bocado desorientada (e os filhos, e o trabalho, e a casa?). Pensei em todos os compromissos da vida que os meus pais iriam deixar para trás (mesmo se apenas durante meio ano, com certeza essa viagem acarretava muitas consequências).

Naquela noite mal consegui dormir. E se dependêssemos que outros viessem cuidar do nosso corpo e animar a nossa alma? Podemos ajudar aquelas pessoas de diversas maneiras, e os meus pais descobriram as suas. E se fosse cá, na nossa cidade? Se fosse com a nossa família, ou com amigos nossos? Muitas vezes a dimensão da coisa só faz sentido para alguns quando toca directamente sobre as suas vidas. O mais importante para aquelas pessoas não é uma ajuda somente monetária, nem precisam somente que a indiferença seja vencida, precisam sim que as pessoas possam transformar isso em actos.

Depois desta reflexão toda, também eu comecei a ficar cativada por esta escolha dos meus pais. O meio ano que os meus pais iam ficar no Haiti compreendia as férias grandes, os meus três meses de férias. Será que eu também não podia fazer a minha parte? Talvez em vez de ficar na praia, ou em vez de me divertir com os meus amigos, devesse tentar fazer alguma coisa concreta por aquelas pessoas. “A não indiferença perante o mundo implica que a nossa vida não signifique apenas contemplar passivamente, mas antes agir e participar”.

Nas aulas de Filosofia, de acordo com o tema “Análise e compreensão da experiância valorativa” que estávamos a estudar, cada um construiu a sua pirâmide dos valores. A hierarquizaçao dos valores pode ser efectuada de diferentes maneiras, conforme as pessoas e as circunstâncias. Mas as hierarquias que vamos fazendo ao longo da nossa vida não se estabelecem de modo arbitrário, como se todos os valores possuissem um grau de valiosidade equivalente, ou se o modo de valorar fosse um acto meramente aleatório. A selecção dos nossos valores fundamentais implica um comprometimento pessoal. Um dos valores com maior valência que pus na minha pirâmide foi a solidariedade. Ora, se temos de nos comprometer com os valores que escolhemos, mais uma razão que me deu força e coragem para levar a minha ideia avante.

No dia seguinte fui falar com os meus pais, e perguntei se havia a possibilidade de eu também ajudar durante os meus três meses de férias. Apesar da admiração inicial, eles ficaram bastante contentes com a minha atitude, e foram tentar saber se haveria alguma coisa que pudesse fazer no Haiti. A resposta foi rápida, e sim, realmente havia uma coisa que eu podia fazer. Disseram que podia ajudar com as crianças, passar algum tempo com elas, porque o número de crianças que ficou sem pais é enorme, e neste momento muitas delas não têm ninguém.

Quando contei às pessoas a decisão que tinha tomado, muitos pensaram e tentaram fazer-me ver o horror que estava lá, a quantidade de mortes que tinha havido e o desespero que as pessoas estavam a passar. No entanto, eu só conseguia penser nos vivos que ainda lá estavam. Especialmente, nas crianças! O número de crianças orfãs no Haiti já era enorme (umas 380 mil!), e, após o terramoto, aumentou para dezenhas de milhares.

Amanhã é o dia da partida. Não vou dizer que estou serena, convicta de que vai correr tudo bem. Não, tenho de admitir que o medo é muito. Desde que se começou a aproximar o dia, tenho sentido cada vez mais medo, mais ansiedade, e tenho pensado mais nas coisas que vou deixar para trás durante estes três meses. Principalmente nos meus irmãos. Eu sei que eles ficam bem, aliás, os meus pais não seriam capazes de ir se não tivessem a maior das certezas de que eles ficam em boas mãos.

Mas, apesar de todas estas dúvidas, acredito que seja a melhor atitude que possa tomar, e sem dúvida que estou a ser fiél aos meus valores.



15 de Julho de 2010

15 de Julho ... Como vêm, já passou imenso tempo desde que cá estou! Peço desculpa por nunca mais ter escrito nada, mas a vida aqui (como devem imaginar) não me tem permitido fazê-lo.

Tenho de admitir que nos primeiros dias da minha estadia aqui no Haiti, estava a ser difícil a minha adaptação. Ainda se sente muito o clima de violência causado pelo sismo, apesar de se notar uma grande diminuição ao longo do tempo.

O idioma oficial de cá é o francês, mas a maioria das pessoas fala o créole, um dialeto do francês que incorpora palavras africanas. Para minha sorte, tanto o próprio francês como esta derivação, o créole, são línguas semelhantes ao português, e rapidamente me habituei a falá-las.

Acredito que estejam curiosos, e que queiram saber como é o meu dia-a-dia por cá! Bem, eu máto-vos a curiosidade, e vou tentar falar um pouco da minha rotina (apesar de mudar todos os dias, porque todos os dias acontecem coisas novas!).

Muitos devem pensar que estou a viver numa tenda de um metro cúbico com mais de mil pessoas... Não, não! Também não chegou a esse ponto! Neste momento estou instalada numa grande tenda, que foi instalada para acolher todas aquelas crianças que ficaram sem ninguém. É como um orfanato improvisado. As condições aqui não são más de todo, temos tido o apoio de várias organizações, que arranjaram camas, casas-de-banho, jogos para as crianças, roupa,...

A fauna de cá é caracterizada por animais de pequeno porte, com algumas espécies de roedores e um grande número de insecto e répteis, sendo os lagartos e as iguanas os mais comuns (no ínicio, foi difícil para as pessoas habituarem-se aos meus "guinchinhos", mas agora já se habituaram, e até acham piada). Quase todos os Haitianos são negros, mas existem também alguns mulatos e outros brancos (a percentagem de brancos é muito reduzida, mas visto que estão por cá muitos voluntários brancos, o número aumentou um pouco). A maioria da população de cá é católica, e existe até uma tenda onde se celebra uma missa por dia. A religião cá é muito praticada, e as pessoas têm uma fé enorme.

Agora falando da minha rotina... Acordo por volta das oito da manhã (é conforme as crianças: se acordarem cedo, eu acordo também cedo, se acordarem tarde, hum... que maravilha!). O nosso pequeno-almoço é muito reduzido, cada uma tem direito a um pão e a um copo de água. O resto do dia varia muito, conforme as condições climatéricas, a disposição das crianças,... O meu principal objectivo é proporcionar às crianças momentos divertidos, e tentar reduzir o seu sofrimento causado pela perda dos que lhes eram próximos. Tanto posso brincar às "escondidinhas" com elas, como fazer puzzles, contar histórias, ou até ajudar as enfermeiras a tratar aquelas que tenham lesões ou estejam doentes.

Peço desculpa, mas o meu pequeno intervalo está a acabar, e já está a tornar-se difícil continuar a escrever-vos (já tenho o Aadi às minhas cavalitas, o Badu já quer fazer um desenho no meu diário, e a Chiku já quer fazer-me um penteado).












8 de Setembro de 2010

Cheguei ontem a casa. Pensa-se nos compromissos da vida. Que se tem irmãos, avós, amigos, (férias! praia, sol, mar,…),… Desprender-se de tudo isso pode ser muito difícil. Mas enganam-se os que pensam que fui ao Haiti simplesmente ajudar. O que se vive vale muito para nós próprios, para a compreensão da nossa própria vida. Estar no Haiti fez-me ver o que pode ser não ter mais família, não ter mais casa, não ter mais carinho, não ter mais sonhos,… e ainda assim insistir em viver, quere viver, lutar,…

Sem dúvida que estes três meses mudaram a minha pirâmide dos valores. Realmente era verdade o que aprendi em Filosofia, que a pirâmide dos valores não era eterna, podia mudar ao longo do tempo ou conforme as situações. Se antes não dava valor ás “pequenas” coisas da vida, como ter comida para almoçar, poder andar na escola, ter uma cama onde dormir, a todos os confortos que tenho em casa, agora, sem dúvida, passei a dar. A minha atitude perante as coisas mudou. A minha esperança e espírito de sacríficio cresceram significativamente. Até a minha fé aumentou depois destes três meses.

Se iniciei a minha visita ao Haiti para ajudar as pessoas de lá, por achar que devia fazer o sacrífico de renunciar às minhas férias, agora agradeço profundamente a quem me deu esta opurtunidade.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Um novo país, Austrália

Chegou a altura desta grande mudança. Se me perguntassem à um ano atrás o que eu ia fazer amanhã, eu ia dizer com um ar aborrecido,” amanhã vou para a escola, em S. João da Madeira”, mas se eu hoje pudesse dizer isso sentir-me-ia feliz, pois saberia as pessoas que ia encontrar, assim como o ambiente, sentiria-me mais segura, por de certa forma, saber o meu amanhã. Mas agora não adianta olhar para o passado, como já ouvi muitas vezes dizerem “bola para a frente que atrás vem gente”. Espera-me muitas horas de avião, e algumas trocas antes, porque não há voos directos.
No último avião, quase a chegar, distribuíram um papel que era para a Alfândega, mas só entregaram às pessoas adultas, porém, como curiosa que sou, estive a ler, perguntava de que país vínhamos, onde pretendíamos ficar, se trazíamos comida, etc.
Aquela primeira impressão de tudo ser novo já tinha passado. Passaram 2 dias a correr, e chegou o dia em que ia finalmente conhecer a minha escola. Nestes dias, reparei que existem muitos centros comercias. Tinha lido que os australianos eram compradores compulsivos e, deve ser devido a isso que existe tantos, e tão perto. As pessoas são muito simpáticas e compreensíveis. A minha tentativa de falar inglês não me correu muito bem, o meu inglês não é mesmo nada bom, mas algumas pessoas tentaram-me ajudar a falar e a compreender o que diziam, falavam mais devagar, quase que soletravam as palavras. O que me está a custar mais é a adaptação ao dinheiro, mas ainda é muito cedo para eu já saber manusear bem o dólar.
Passou-se o 3º dia neste país, e cada vez me surpreendo mais. Tinha ideia que os australianos eram muito reservados e são, e por isso pensava que não se riam, não falavam com quem não conheciam ou que para falar com eles era preciso ‘um ano’. Mas não, cheguei à escola, arranjei logo novas amizades e eles são muito divertidos, estiveram-me a falar da cultura deles. Houve uma rapariga que me chamou logo à atenção, não devia ser daquele país, o inglês dela não era muito bom, ainda conseguia ser pior que o meu, mas já estava adaptada o que me levou a mudar o que pensava até aí.
Gostei muito do primeiro dia de aulas, mas não era a mesma coisa que em Portugal, senti enormes saudades dos meus amigos, das brincadeiras nos intervalos, de tudo.
Mas acho que o facto de ter cá a família, o meu valor primordial, ajuda imenso, acho que se tivesse vindo sem eles morreria de saudades, não me sentiria bem, mas também não quero pensar nisso, estou aqui com eles e isso é que importa Eu começo a pensar para mim, até aqui tenho-me regido por uma pirâmide dos valores, com os valores que acho que tem valências positivas, e que me identifico melhor, será que esta pirâmide vai mudar? Na disciplina de Filosofia, aprendi que a pirâmide pode diferenciar dependendo da cultura, mas acho que prefiro esperar para ver o que acontece.
Neste segundo dia de aulas estava animada para ir para a escola (já mudei assim tanto?). O meu irmão veio-me chatear, a dizer que já sabe falar melhor inglês que eu, mas ainda estava meia a dormir e muito bem disposta, nem liguei. Os meus pais estão a gostar, estão felizes da vida, juntaram-se a um povo que apresenta semelhanças com eles, gostam de passear e ir à praia, e é tudo muito perto. As populações habitam mais a parte litoral, como em Portugal, estou-me sempre a lembrar do meu belo país.
Na escola, toda a gente me faz perguntas, e eu a eles, estivemos a ter longas conversas, já tinha ideia que eram reservados, mas faz-me alguma confusão, eles não falam nada de sentimental, nessa área são muito frios, mas vou tentar não falar disso. Há umas raparigas que no nosso português dizemos “tem a mania”. Os professores estão sempre a dizer para vermos o canal SBS que tem documentários feitos pela BBC, mas houve quem dissesse que via esse canal por causa do futebol ou jogos de Cricket e Rugby que dão o fim-de-semana todo. Os australianos gostam muito de desportos ao ar livre. São um povo diferente, mas se fossemos todos iguais o mundo seria uma “seca”.
Todos os dias tenho pensado na questão da pirâmide. Acho que agora já mudou alguma coisa, apesar de ser cedo. Eu tinha a Família (acho que este vai ser eternamente o meu valor primordial), amigos, o meu futuro, é este que acho que agora não se enquadra bem no meu pensamento e na forma de vida que estou a levar, pois de um momento para o outro tudo mudou, não posso pensar em futuro, pois esse é uma incógnita, agora quero é viver o presente, e talvez altere para isso mesmo, o presente.
Passou mais um dia, neste fomos visitar a capital, Camberra. Aprendi novas coisas, e conheci, durante o caminho para lá, algumas das rádios que cá existem tais como “A Tripe J” que só dá música rock das zonas locais, por isso acho que não vou ouvir muito, assim como a “Sea FM”, só que o rock é de varias épocas, mas descobri uma interessante que dá um programa em português é a “SBS” na 97.7FM.
Um sentimento, que não sei descrever, mas que é mau, faz-me sentir mal, apodera-se de mim quando penso e relembro Portugal e alguns momentos que lá passei. Nunca me imaginaria aqui, nunca imaginaria que fosse sair do meu país, estou a gostar deste, mas não é a mesma coisa, sinto tanta falta de toda a gente e cada pessoa em especial que deixei. É como se tivesse perdido uma grande parte de mim, embora saiba que vou manter contacto, vou lá visitar, mas não é a mesma coisa, sei também que os meus pais sentem muita falta de lá, embora não queiram mostrar que é para ver se eu e o meu irmão não pensarmos tanto nisso, mas nós sabemos. Os pais querem sempre proteger os filhos do sofrimento, mas os filhos percebem.
Ainda não tinha percebido o que queriam dizer umas placas que via por aí, mas agora já sei, são placas com normas de procedimento para cada área, com o valor das multas aplicáveis. A Austrália preocupa-se muito com o meio ambiente. Toda a gente associa a Australia a cangurus e eu ainda não vi nenhum, dizem que ao aproximarmo-nos do deserto podem passar alguns em estradas, e tem lá sinalização, mas disseram-me para ir ao Zoo de Perth, mas ainda estou aqui à poucos dias, ainda não fomos conhecer bem a nossa cidade, nem o resto do país.
Mais um dia passou, na escola agora ando mais com a Sabine, a Jenice, o Jarry e o Henry, é ‘altamente’, eles são muito simpáticos, eles contam-me as suas aventuras passadas, eu também e é sempre uma animação, são mesmo muito divertidos, e com isto já aperfeiçoei o meu inglês, apesar de ainda continuar com algumas dificuldades.
Ao final do dia lembro-me sempre da mesma coisa, acho que com o passar do tempo me vou esquecendo e quando me voltar a lembrar já a minha pirâmide estará mais de acordo com a minha nova rotina. Estive a pensar, ao confrontar-me com esta nova realidade, acho que há coisas mais prioritárias que os bens essências que estão em 7º na minha pirâmide, acho que mais importante que isso é a saúde, minha e de quem me rodeia, acho que é pior ter um familiar doente do que mudar de país. Então a minha pirâmide ficara com a Família como valor primordial, a saúde, a humildade, a sinceridade, os amigos, a coragem e o presente.
Passado alguns meses, venho ler “o meu diário”, já me tinha esquecido dele, tem coisas que já não me lembrava, adaptei-me muito bem, o meu grupo ainda continua o mesmo, e somos muito amigos, inscrevemo-nos num concurso que vai haver, são desportos ao ar livre, estamos confiantes. O meu inglês agora está quase perfeito, falham-me algumas palavras. As saudades ainda as sinto, mas tento não me lembrar desse modo, tento pensar que a vida continua, e que não ía ficar eternamente com aquelas pessoas, e a fazer as mesmas coisas, um dia teria de me separar de muita gente que convivi. Já vi cangurus, são muito fofinhos, mas não gosto quando se aproximam, mas a saltar metem ‘piada’. As minhas reflexões sobre os meus valores tornaram-me mensais e não diárias, mas não mudei desde a última alteração que fiz. Talvez passado um tempo volte a muda-la para estar mais de acordo ao meu estilo de vida, mas por enquanto enquadra-se bem.
Sei que a minha pirâmide dos valores vai ser sempre alterada de acordo com o que a vida nos vai oferecer, ou com o que vamos conquistando, ou com as mudanças de vida que vamos fazendo. Mas ter uma pirâmide com função de linhas orientadoras de vida, acho muito bom, desde que esses valores sejam positivos e que estejam numa hierarquia correcta.
Se mais tarde a minha pirâmide vai mudar, só o tempo e as circunstâncias dirão.


Valorar

Após a análise e interpretação do texto de Johames Hessen, admite-se que o Homem, por vezes, demonstra valorizar um ser ou algo. Esta reflexão sobre os valores que o Homem faz designa-se por AXIOLOGIA, feita de modo natural pelo ser humano, utilizando o seu paradoxo e , por vezes, orientando-se pelos paradigmas adoptados pela sociedade em que vive.
Este valorar que o Homem faz conscientemente, voluntáriamente e intencionalmente remete-nos para o poder que Homem tem em ser um ser racional e livre, possibilitando-lhe distinguir "o que lhe acontece" do que "ele faz", ou seja, tem liberdade que o Homem tem por agir conforme algo, valorizando-o positivamente ou negativamente. Colocando o valor mais importante no topo e o valor mais despresível na base de uma pirâmide, de forma hierarquica, tal como Maslow. Existindo assim a bipolaridade de valores, ou seja, a tomada de consciência que o Homem faz para cada valor, oscilando-os entre dois polos.
No entanto, esta liberdade coincide com o histórico cultural de cada indivíduo, ou seja, como o Homem vive em sociedade e como cada sociedade tem instituições diferentes, a liberdade difere.
Portanto, o Homem, como agente valorador, atribui um valor a algo conforme o seu juízo de valor, ou seja, atribui valores coincidentes com os seus critérios.
Esses critérios podem ser critérios pessoais ou critérios socioculturais.
Esta valorização que o Homem faz, vai de encontro com a construção de um mundo ideal de que o Homem necessita equilibrando o seu mundo social.
Em suma, o Homem como racional e sentimental formula juizos de valor, consuante a sua sociedade e personalidade, de forma a construir um caminho de vida, que pode ser modificado com a vivência do Homem; ou seja, cada pessoa estabelece a sua própria pirâmide de valores.
Por exemplo: Actualmente, o meu valor primordial é a FELICIDADE, mas após a formação de uma parte do meu caminho de vida, este meu valor pode mudar; dando a possibilidade de constuir novas linhas orientadoras através do poder que eu, ser humana, tenho de aplicar a NEOTENIA na minha vida.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A VIDA

A vida é uma oportunidade, aproveite-a...

A vida é bela, admire-a...

A vida é felicidade, deguste-a...

A vida é um sonho, torne-o realidade...

A vida é um dever, cumpra-o...

A vida é um desafio, enfrente-o...

A vida é um jogo, jogue-o...

A vida é promessa, cumpra-a...

A vida é preciosa, cuide dela...

A vida é uma riqueza, conserve-a...

A vida é amor, goze-o...

A vida éum mistério, descubra-o...

A vida é triste, supere-a...

A vida é um hino, cante-o...

A vida é uma luta, aceite-a...

A vida é aventura, arrisque-a...

A vida é alegria, mereça-a...

A vida é vida, defenda-a...

Agnes Gonxha Bojaxhiu